terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Coisas que leio por aí

Hoje pela manhã achei esse artigo escrito pelo Plinio Arruda para a Terra Magazine. Por quais razões o povo brasileiro, a exemplo de outros povos vizinhos, não se rebela?  Por que desprezamos quando certos segmentos  desfavorecidos da sociedade vão às ruas por seus direitos?  O artigo de Plinio Arruda serve como um lampejo rumo à reflexões sobre práticas históricas e fatos cotidianos.

Porque o nosso povo não se rebela?

Plínio de Arruda Sampaio
De São Paulo

Os telejornais estão cheios de noticias das rebeliões que estão acontecendo na França, Inglaterra, Itália e Grécia. Multidões de funcionários públicos, trabalhadores, agricultores, caminhoneiros, ocupam as ruas, bloqueiam estradas, ocupam edifícios públicos em protesto contra cortes em seus direitos.
Por que aqui não acontece o mesmo, sendo que os cortes são muito maiores?

Dois fatores explicam a passividade da nossa gente.

O primeiro deles é a terrível repressão policial sobre os insurgentes. Desde a Inconfidência Mineira, o povo sabe que a repressão dos revoltosos é seletiva: os figurões da conspiração foram deportados; o sargento de milícias foi enforcado, sua cabeça exposta ao público e o terreno da sua casa salgado para que nadajamais voltasse a nascer ali.

Em 1964, os deputados, senadores, governadores, políticos importantes e pessoas poderosas foram cassados e tiveram seus direitos políticos suspensos. Mas, o patrimônio deles não foi tocado, sua família sempre pôde vir ao Brasil, passada a cassação todos tiveram seus direitos restabelecidos e, muitos receberam polpuda indenização. Os líderes camponeses que se rebelaram foram todos assassinados.

O povo observa essas coisas.

O segundo fator da conformidade chama-se "cultura do favor". Roberto Scharwz tratou desse assunto com maestria. Segundo ele, durante os trezentos anos de escravidão, só havia dois grupos sociais organicamente ligados à produção e, portanto, à obtenção de renda (monetária ou sustentada pelo trabalho). Os demais grupos (negros alforriados, mulatos, cafusos, profissionais sem patrimônio, brancos pobres) só tinham duas maneiras de sobreviver: ou por meio de atos ilícitos ou pela proteção de um poderoso.

Surgiram daí o capanga; o mumbava; o cabo eleitoral.

A cultura do favor é uma ética da gratidão. O marginalizado, no sentido daquele que vive à margem dos direitos sociais, que recebe um favor do poderoso está moralmente obrigado a devolver esse favor, a fim de se sentir uma pessoa digna.

Esta cultura atingiu não somente o pobre, mas também o poderoso. Porque sempre há alguém mais poderoso de quem se necessita uma providência - um favor.

Num livro admirável, Ligia Osório de Souza demonstrou que a elite dominante brasileira desenvolveu uma técnica legislativa destinada a evitar que a lei seja aplicada imparcial e universalmente. Toda lei brasileira tem preceitos vagos e confusos para possibilitar o casuísmo. O casuísmo é o favor.

Conta-se até mesmo a anedota do cidadão que pediu um favor a um senador e quando este respondeu-lhe que não podia atender por ser ilegal respondeu: "Mas é por isso mesmo que estou recorrendo ao senhor; se fosse legal, eu protocolaria no balcão da repartição". No Brasil, no balcão só os pobres sem padrinho.

Pois bem, uma população totalmente sem esperança de conseguir que seus problemas sejam resolvidos contentou-se com migalhas e identificou na figura do Lula o poderoso que lhe faz um favor. Seu dever moral é retribuir esse favor e o meio de que dispõe para isto é o voto.

Não adianta nada demonstrar que o governo Lula está metido em falcatruas e que as migalhas distribuídas não resolvem o seu problema. Se dever moral é retribuir o favor.


Plínio Soares de Arruda Sampaio, 80 anos, é advogado e promotor público aposentado. Foi deputado federal por três vezes, uma delas na Constituinte de 1988, é diretor do "Correio da Cidadania" e preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Brasil já tem mais de um celular por habitante

Segundo a Anatel, houve 2,9 milhões de novas habilitações em outubro, caracterizando crescimento de 1,55% em relação a setembro e fixando teledensidade de 100,44 acessos por cada 100 habitantes.
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Ronaldo Sadenberg, divulgou na última quinta-feira (18) que a telefonia móvel ultrapassou, em outubro, a marca de um celular por habitante.
Com 2.967.108 de habilitações em no mês (crescimento de 1,55% em relação a setembro), o Brasil chega a 194.439.250 de acessos do Serviço Móvel Pessoal (SMP) e teledensidade de 100,44 acessos por 100 habitantes (crescimento de 1,48% sobre o mês anterior).
No balanço anual, o serviço registrou, até agora, 20.479.882 novas habilitações, o que representa um crescimento 11,77% e um aumento de 10,92% na teledensidade.
Em outubro, 12 Estados já possuíam mais de um celular por habitante: Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco e Paraná.
Do total de acessos, 159.811.754 (82,19%) são pré-pagos. Os demais 34.627.496 (17,81%), pós-pagos. A consolidação dos números mensais do SMP está disponível no portal da Agência, na visão Sala de Imprensa, canal "Anatel em dados", item "Telefonia móvel".
Operadoras
A Vivo ainda continua na liderança com 30,3% de market share. As seguintes posições continuaram as mesmas, como em segundo a Claro, 25,58%, e em terceiro a Tim, com 24,67%. Já a Oi ainda possui participação modesta no mercado e registra, até então, 19,35%.
3G
Os terminais 3G (banda larga móvel) totalizaram, em outubro de 2010, 18.709.895 de acessos, o que representa um crescimento de 116% no ano.

passeios pelo centro do Rio

sábado, 30 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha VI - Livro de Monteiro Lobato pode ser banido por racismo


Constatei que as manhãs de sábado trazem notícias que nunca espero via mídia. Enquanto leio os editorais, eis que deparo na página do jornal O Dia, com a notícia  que um livro de Monteiro Lobato pode ser banido por racismo. Nossa, a Turma do Sítio Pica-pau Amarelo faz parte da infância de gerações. Não me surpreendi com as acusações de racismo em Tintin, de Hergé,  palavras que formam palavrões em Batman.

Bem, proibições, denuncias de obcenidades e preconceitos a livros e HQ destinados à garotada escolar, vire e mexe aparece. Abaixo o que foi publicado no jornal.

Livro de Lobato pode ser banido por racismo

Conselho de Educação quer proibir obra da turma do Sítio do Picapau Amarelo nas escolas devido a referências a Tia Nastácia e sua cor em comparação com animais

Rio - As aventuras da turma do Sítio do Picapau Amarelo poderão ser banidas das salas de aula. O Conselho Nacional de Educação (CNE) quer proibir nas escolas públicas do País o livro ‘Caçadas de Pedrinho’, um clássico da literatura infantil escrito por Monteiro Lobato. Os 12 conselheiros do órgão acataram por unanimidade denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que considerou a obra racista. Conforme parecer do Conselho, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e referências a animais, como urubu e macaco.
Publicado em 1933, o livro narra as peripécias de Pedrinho à procura de uma onça pintada. Em um dos trechos da obra que motivou a denúncia o escritor diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”. De acordo com a autora do parecer, Nilma Lino Gomes, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os exemplares devem ser retirados das escolas ou adotados desde que a obra traga nota sobre os “estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura”.
Para entrar em vigor, o parecer precisa ser homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Em nota, o Ministério da Educação (MEC) informou que o ministro vai consultar a Secretaria de Educação Básica, responsável pela seleção dos livros do Programa Nacional do Livro Didático. A obra foi distribuída pelo próprio MEC a colégios de Ensino Fundamental pelo Programa Nacional de Biblioteca na Escola. O ministério não disse quantos livros foram entregues.


Para a educadora Sônia Travassos, especialista em Literatura Infanto-juvenil pela UFRJ, a proibição é absurda. “Achava que já tivéssemos superado a censura com o fim da ditadura. Não é possível que alguém pense em impedir a circulação dos livros do maior escritor de literatura infantil que o Brasil já teve”, criticou. Estudiosa da obra de Monteiro Lobato, a professora defende a discussão da obra em sala de aula. “Se o livro está na escola, cabe ao professor, mediador da leitura, oferecer elementos, informações, sobre o contexto em que ele foi escrito”, disse. Sônia Travassos lembra que a Tia Nastácia é querida por todos do Sítio, participa da vida social da família e tem espaço para expressar sua cultura.

“Os alunos têm o direito de ler os livros de Lobato: livros que abrem as portas do imaginário, apontam críticas sociais e só têm a acrescentar na formação leitora das crianças”, defende a educadora.

Município vai manter a obra


Enquanto o MEC avalia a recomendação do CNE, a Secretaria Municipal de Educação do Rio informou que continuará adotando as obras de Monteiro Lobato. Segundo a secretaria, o uso da obra, “é sempre uma oportunidade para que o tema do preconceito seja trabalhado”. 


O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Rio, Victor Notrica, reprova o veto à obra de Lobato: “O Sinepe-Rio é contra qualquer cerceamento de leitura de autores consagrados. Vetar a obra de Monteiro Lobato é uma violência. A criança aprende muito lendo Lobato. Defendemos a liberdade de leitura, com orientação”.

Fonte: Jornal O Dia

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha V: 10 Estratégias de Manipulação Midiática

10 Estratégias de Manipulação Midiática
:: Acid ::


O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou uma lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais" (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas').

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Autor: Acid
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=10295

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha IV

Continuando sobre o tema aborto.  Matéria publicada no Correio Braziliense.
Tema recorrente na política, o aborto é um problema grave de saúde


Publicação: 10/10/2010 09:30

Uma romaria de mulheres procura diariamente os hospitais públicos brasileiros. Depois de abortos clandestinos e malsucedidos, elas precisam de atendimento médico com urgência. São, em média, 256 a cada dia, 10 por hora. A mesma quantidade de vítimas de clínicas ou medicamentos clandestinos enfrenta a decisão pelo aborto sem qualquer suporte médico.

Os hospitais mantidos pelos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) não fazem tantas cirurgias quanto as curetagens. São procedimentos que exigem anestesia, geral ou local, para a retirada de restos de placenta do útero. Necessárias depois de abortos provocados, são 500 curetagens por dia. É mais do que o dobro de procedimentos de retirada de útero e o triplo da quantidade de cirurgias de períneo, as duas cirurgias mais frequentes pelo SUS, depois da curetagem.

Em qualquer site de busca na internet, a digitação das palavras misoprostol e Citotec garante um retorno fácil de informações. Para misoprostol, o primeiro retorno é “onde comprar misoprostol”. Para Citotec, “Citotec preço”. O medicamento, indicado para combater úlcera gástrica, é amplamente vendido na rede a mulheres interessadas em abortar. A proibição da venda, em 1991, não inibiu o consumo do produto como abortivo. É, há 20 anos, o método mais utilizado pelas brasileiras para dar fim a uma gravidez indesejada.

Nem a hipertensão arterial, nem hemorragias e infecções matam tantas mulheres no parto em Salvador (BA) quanto os abortos malsucedidos. É essa a principal causa de mortalidade materna na capital baiana. Em todo o país, o aborto é a terceira ou a quarta causa — de acordo com cada região — de morte de mulheres no parto. A cada quatro dias, em média, morre uma brasileira que decidiu fazer aborto, levando-se em conta apenas os registros de mortes informados pelos hospitais ao Ministério da Saúde.

O comitê de mortalidade materna de Recife (PE) começou a perceber um aumento dos casos de meninas que se suicidam nos primeiros meses de gravidez. Os casos passaram a ser estudados pelo comitê, que busca as razões junto a familiares e médicos para evitar novas ocorrências. As mortes se somam às dezenas de outros óbitos de mulheres jovens, que decidiram abortar na clandestinidade e que sucumbiram após a última tentativa de socorro médico, na rede pública de saúde de Recife.

As constatações são inúmeras, seja nos dados oficiais do Ministério da Saúde, na rotina dos hospitais, no milionário comércio de medicamentos ilegais — trata-se de uma prática rotineira, que consome R$ 30 milhões do SUS todos os anos. O dinheiro é insuficiente para assegurar a saúde e a vida dessas mulheres.

Especialistas acreditam que o embate político na disputa presidencial deste ano reduziu a discussão a um mero aspecto religioso e fez os candidatos ignorarem o aspecto de saúde pública do aborto. O assunto passou a ser o mote do segundo turno das eleições, ganhou evidência, mas foi reduzido a posições contrárias ou favoráveis simplesmente.

“Se os candidatos querem seriamente discutir o aborto, não devem fazer disso uma moeda de troca com as religiões. Debater o aborto deve ser um marco da saúde das mulheres, não uma concessão religiosa”, afirma a antropóloga Debora Diniz, pesquisadora do Anis — Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, e professora da Universidade de Brasília (UnB). Debora é uma das principais referências no assunto. No início do ano, um estudo de sua autoria, a Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), mostrou que 15% das mulheres brasileiras já fizeram um aborto pelo menos uma vez na vida.

“A abordagem dos candidatos está completamente inadequada. O aborto não é uma carnificina nem é uma questão religiosa em si”, diz o professor de ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí Thomaz Gollop, coordenador de um grupo de estudo sobre aborto da Socidade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “Como médico, é óbvio que não sou a favor do aborto, mas estamos lidando com preconceitos, e não com conceitos.” Gollop lembra que a proibição do aborto está prevista numa lei de 70 anos atrás. “Os costumes e a realidade mudaram completamente”, diz o pesquisador. A legislação penal garante a realização do aborto apenas para casos em que a gravidez é decorrente de um estupro ou oferece riscos de morte à gestante.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha III

As duas matérias que reproduzo aqui são de assuntos relacionados à vida humana.   Uma é uma carta-manifesto sobre o tráfico  humano e a outra sobre  a mobilização de feministas à favor do aborto.  Esta última, de tão polêmica, por assim dizer pesada, é item na disputa política. Temos uma candidata à presidência  que em campanha antes do primeiro turno tinha ou tem uma posição sobre o aborto, já está confuso.   
No meu ver deve-se discutir a questão da vida humana focado no direito democrático, não por pressão de vertentes religiosas e de preconceito. Ora, qual parcela social é mais atingida? A mulher pobre, a de classe média ou a rica?
Também não para que se faça que a coisa corra de maneira frouxa, afinal temos um universo jovem em expansão, mas também não se deve fechar os olhos ou tampar o sol com a peneira para aqueles casos previstos no código penal.  
Agora, uma coisa que encucuca, por que as rádios e  as emissoras de tv não divulgam isso? Não fazem debates?  Eu arrisco uma resposta, digo em outro post. 



27/09/2010
Carta de São Sebastião
Leia a íntegra da carta divulgada pelo Movimento contra o tráfico de Pessoas no Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

Considerando que o tráfico de pessoas é um crime fruto de diversos fatores como o tipo de globalização que vivemos na sociedade mundial, concentrador de riquezas nas mãos de poucos;

Considerando que a Organização das Nações Unidas - ONU, admite ser esse crime o pior desrespeito aos direitos inalienáveis da pessoa humana;

Considerando que é também a ONU a afirmar não haver países inocentes nesse tipo de crime globalizado, pois a nação ou vende ou compra o ser humano como mercadoria de consumo;

Considerando que a Organização Internacional do Trabalho - OIT, afirma ser o tráfico humano a segundo fonte ilegal de renda do mundo perdendo apenas para o tráfico de armamentos, com uma renda anual de 32 bilhões de dólares;

Considerando que é também a OIT que estima serem traficados por ano, cerca de dois milhões e 800 mil seres humanos para o trabalho escravo, exploração sexual e venda de órgãos e tecidos;

Considerando que 83% das pessoas traficadas é constituído de mulheres e crianças do gênero feminino;

Considerando que 48% das vítimas do tráfico humano têm menos de 18 anos;

Considerando que nosso país, o Brasil, é tido como o maior “fornecedor” de jovens mulheres, adolescentes e crianças nas Américas traficadas para a indústria do sexo nos países do Primeiro Mundo.

Considerando que também somos um país demandador do tráfico humano, além de termos um tráfico interno que incide de forma perversa sobre adolescentes e crianças;

Considerando que o ocorrido em território brasileiro pode ser qualificado como vergonha nacional;

Considerando que estamos às vésperas das de eleições presidenciais;

Considerando que em tempo algum, ouvimos de qualquer candidato à Presidência da Republica, pertencente a qualquer partido político, menção de que o enfrentamento a esse crime faz parte de sua plataforma política de ação;

Frente a todos esses fatos, o Movimento contra o tráfico de Pessoas constituído por cerca de 50 entidades da sociedade civil brasileira e os participantes do “Seminário sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: desafios e possibilidades”, realizado nos dias 23 e 24 de setembro,
em São Sebastião, município do litoral norte de São Paulo, vem por meio desta carta solicitar o posicionamento dos candidatos à Presidência da República em relação ao seu compromisso e engajamento ao combate a esse crime monstruoso que ameaça nosso maior patrimônio nacional, isto é, nossos adolescentes e crianças.

São Sebastião, 23 de setembro de 2010,
Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças


Feministas lançam Plataforma pela Legalização do Aborto

sexta-feira 1 de Outubro de 2010, por Terezinha Vicente 




Se tem uma data que mobiliza todas as feministas brasileiras há mais de vinte anos, além do 8 de março, é o dia de luta latino americano e caribenho pela legalização do aborto, 28 de setembro. As feministas sabem da importância fundamental da autonomia da mulher para sua emancipação, e sabem como é fundamental para alcançá-la a autonomia sobre o próprio corpo, sobre a sexualidade, e como lhe são negados historicamente os direitos sexuais e reprodutivos. Enquanto elas tentam avançar nesta luta – criando inclusive uma Frente Nacional pela Legalização - nos últimos anos, tem recrudescido no Brasil as ações de criminalização das mulheres e de propaganda contra a legalização do aborto, principalmente na mídia comercial e no Congresso.
Neste 28 de setembro, foi lançado pela Frente em todo o país uma Plataforma com propostas para a descriminalização do aborto. Em São Paulo, o ato aconteceu na Praça do Patriarca, reunindo perto de 200 pessoas, representando diversas organizações de mulheres, centrais sindicais (CUT e Conlutas) e partidos (PT, PSol e PSTU), que caminharam ao final até o Largo São Francisco. “Esta é uma luta histórica das mulheres”, disse Amelinha Teles (União de Mulheres), “e é importantíssimo que os jovens venham a aderir e também os homens. Existe muita resistência do povo que sofre muita influência da Igreja e só apresenta argumentos religiosos, não conseguimos discutir politicamente o respeito a vida das mulheres”. Para a conhecida feminista, apesar das dificuldades, “esta luta vem avançando, a legalização do aborto não é mais pauta só das mulheres, hoje está na agenda política”.

Unificar a luta

“Conseguimos unificar neste ato setores diferentes do movimento de mulheres, o que é muito importante, pois precisamos da união de todas as mulheres e de toda a classe trabalhadora neste tema difícil”, comemorou Luka, do PSol e uma das coordenadoras da Frente Paulista. A jovem ativista acredita que a pouca mobilização deve-se “ao machismo interno nos partidos e organizações que tem dificuldade em ver como estratégico o tema do aborto”. Além disso, “no período eleitoral, as candidaturas cedem às chantagens dos setores retrógrados, devido ao atraso da consciência popular, e com medo de perder votos, ninguém se coloca a favor da legalização”.
“Para nós trabalhadoras é muito importante este debate, que é feito falsamente”, disse à Ciranda, a secretária da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, que representava no ato a CUT Nacional. “As mulheres de classe média tem condições de decidir sobre seu corpo, inclusive sobre aborto, enquanto nós, trabalhadoras, sofremos com esta questão. As pobres somos tratadas como máquina de reprodução de mão de obra para o capital, por isso há todo um cerco contra a autonomia das mulheres.Queremos um debate livre sobre a reprodução, sobre o quanto as mulheres são capazes de fazer e sobre mão de obra barata; precisamos incluir os homens na discussão, pois eles são parte da reprodução, no entanto a sociedade os exime disso”.
“Cadê o homem que engravidou? Por que a culpa é da mulher que abortou?”
Intercalando palavras de ordem ao som unido dos tambores da Fuzarca Feminista (batucada da Marcha Mundial de Mulheres) e do Batuque do Grupo de Mulheres Pão e Rosas (LER-QI e independentes), falaram diversas lideranças no ato em São Paulo. Yuri Puello Orozco, das Católicas pelo Direito de Decidir, lembrou recentes pesquisas que comprovam que a maioria das mulheres que fizeram aborto são católicas, ou seja, não aceitam a posição retrógrada da Igreja. Ou como disse Yuri, “a mulher católica que faz aborto está utilizando o ‘uso da consciência’, recurso previsto no magistério da IC, além de ser um posicionamento amparado pelo direito constitucional que diz respeito à saúde integral e à dignidade humana”. Tatiane Ladeira, da Casa Viviane, em Guaianazes, contou das mulheres em situação de violência que acolhem, e chamou a atenção para o aumento de mulheres com problemas de saude mental, alimentados por sentimentos de culpa, em boa parte criados pelo discurso dos movimentos fundamentalistas, que se dizem “em defesa da vida”.
A defesa do estado laico, a questão eleitoral, e o não posicionamento pela legalização do aborto por parte das principais candidatas no atual processo, foi criticada em várias das falas feministas. “Duas mulheres candidatas”, disse Flávia Vale, da LER-QI, “e ambas não mexem uma palha pela legalização do aborto, não podemos ter ilusões com os parlamentares”. Também Ana Luiza, do PSTU, criticou a atuação do parlamento. “São os parlamentares que impedem a lei de ser implementada, mas o Estado tem que ser laico e garantir o direito a todas as mulheres, independente de religião”.
Plataforma contra a hipocrisia
Várias ativistas do movimento estudantil (USP, Unicamp e UNE) fizeram uso da palavra em defesa das mulheres, como também as lésbicas, representadas pela LBL. Saudando esse “dia de unidade na América Latina pela construção de nossa autonomia e contra a criminalização do aborto”, falou Sonia Coelho, da MMM e da coordenação da Frente Paulista. “A Marcha Mundial de Mulheres tem desafiado os outros setores dos movimentos a discutir sem hipocrisia a questão do aborto; queremos um debate real sobre o que significa o aborto para as mulheres trabalhadoras, negras, pobres, quanto sofrimento!”
Encerrando o ato, foi apresentada por Tatiana Berringer, da Consulta Popular e da MMM, a Plataforma para a Legalização do Aborto no Brasil, que vem sendo construída pela Frente Nacional desde o ano passado. “Escrita conjuntamente pelas organizações que compõem a Frente”, disse Tati, “ela se constitui de propostas de políticas públicas, leis efetivas que garantam o Estado laico, o acesso a contraceptivos, formação dos profissionais da saúde, direito, assistência social, garantias de serviço público de qualidade”. Soninha completou dizendo que “a idéia é debatermos amplamente esta plataforma, incorporar outros setores favoráveis à legalização do aborto, aprimorarmos as propostas. Queremos que as mulheres deixem de ser humilhadas, torturadas, presas, e que possamos discutir profundamente esta questão no Brasil”.
Fonte: http://www.ciranda.net
http://carosamigos.terra.com.br/




sábado, 18 de setembro de 2010

Ninguém é uma ilha II

 Às vezes imaginamos se há alguém com as mesmas idéias que as nossas, por mais estranhas que sejam.   Em relação aos políticos sentimentos e idéias não faltam. Eis que o artista plástico recifense Gil Vicente resolveu expressar sua vontade de "matar" alguns políticos.


Reproduzindo:


Artista ‘mata’ líderes políticos

O recifense Gil Vicente promete polêmica na Bienal de São Paulo com obras em que aparece atacando personalidades



Rio - Você já teve vontade de matar algum político? Ou um famoso? Ou mesmo um religioso? O artista plástico recifense Gil Vicente já, e fez questão de não esconder o desejo. Ele mostra para todo mundo, na exposição “Inimigos” que estará na 29ª Bienal de São Paulo. Na mostra, o artista se retratou matando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique, o Papa Bento XVI e o americano George Bush, entre outros. A Bienal começa dia 25.



Gil Vicente reproduz a própria imagem assassinando FH, o ex-premier de Israel Ariel Sharon, o papa Bento XVI e o presidente Lula. O artista diz que a fome é mais chocante que suas obras | Foto: FolhaPress

Assim que as fotos foram divulgadas em jornais, a polêmica começou. “Muita gente ligou nos jornais pedindo para cancelar a assinatura, dizendo que não tinha assinatura para seus filhos verem aquilo. Mas e a miséria e fome nas ruas, os filhos podem ver?”, desabafou o artista plástico. “Muito mais chocante que minhas ilustrações é a imagem de uma pessoa que não tem o que comer.” Nas ruas, as pessoas ficaram chocadas, mas a maioria apoiou Gil. “Eu faria igual. É muito roubo e corrupção. Vai dar polêmica. O povo vai cair em cima!”, disse o empresário Carlos Watanabe.

Tomara que chegue ao Rio.  Mas será que a grande mídia ira anunciar?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Eventos na Geografia. Seminário

III SEMINÁRIO NACIONAL
METRÓPOLE: GOVERNO, SOCIEDADE E TERRITÓRIO
II COLÓQUIO INTERNACIONAL METRÓPOLES EM PERSPECTIVA

TERRITÓRIO USADO E CARTOGRAFIA DA AÇÃO: POR UM GESTÃO URBANO-METROPOLITANA

De 1 a 3 de Dezembro de 2010


Local: Faculdade de Formação de Professores - UERJ -
Rua Francisco Portela 1450 – Patronato – UERJ – São Gonçalo – Rio de Jane
site: http://www.cepuerj.uerj.br/eventos


Apresentação

O III Seminário Nacional “Metrópole, Governo, Sociedade e Território” estará dedicado ao debate de novas orientações conceituais e diretrizes teórico-metodológicas que hoje reconstroem a análise da dinâmica metropolitana. Trata-se, fundamentalmente, dos desafios relacionados ao reconhecimento da complexa relação entre sociedade, Estado e território, em seus vínculos com a urbanidade. Como bem sabemos, a questão metropolitana confunde-se com a questão nacional. Por esta razão, sobre a influência direta de variações nas conjunturas políticas, econômicas e sócio-culturais, redesenham-se novos projetos de gestão da  sociedade e do território. Assim, junto com a  consolidação democrática, conformam outros determinantes da ultima fase do capitalismo, portadora de profundas  contradições entre desenvolvimento econômico e  desenvolvimento social; entre avanço técnico-industrial e precarização da vida coletiva; entre multiplicação dos mecanismos de controle social e reinvenção de “insurgências” e da afirmação de novos movimentos sociais  

Nesse contexto propomos o estudo das categorias do  Território Usado proposto inicialmente por Milton Santos e a Cartografia da ação Social que demonstra grande potencial de análise do cotidiano da metrópole. 

Aprendemos com Milton Santos que “Território Usado” indica a necessidade de que, no estudo do território, sejam consideradas as múltiplas formas de manifestação do poder; a co-presença de agentes econômicos e sujeitos sociais e, assim, práticas, projetos e utopias que conformam o cotidiano e produzem o futuro. Neste sentido, essa categoria refere-se às relações de poder, as lutas e conflitos estabelecidos pelos agentes no uso do território. Pensar a metrópole como lugar da disputa, do território usado, da luta por vários agentes, significa reconhecer novas leituras, insurgências e o significado do “espaço banal” como lugar de todos. 

Por outro lado, “Cartografia da ação” em associação com o conceito de micro conjuntura urbana, a abertura da pesquisa para a pluralidade das formas e sentidos da ação social, incluindo a manifestação de valores culturais, a construção de identidades coletivas e o desvendamento de racionalidades alternativas. Trata-se, sem dúvida da valorização de uma outra cartografia, aquela que reconheça as trajetórias sociais, as lutas políticas, os protestos, a leitura do território do espaço banal, cartografias insurgentes, rebeldes, do cotidiano, 
buscas libertárias.  


Eixos temáticos 

1. Território usado, Modernização e forças instituintes  
2.  Experiência e vida metropolitana: identidades sociais / identidades políticas 
3. Movimentos e movimentos sociais: cartografias das ações libertárias 
4. Gestão urbano-metropolitana: imaginários dominantes e racionalidades alternativas 

II COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE METRÓPOLES EM PERSPECTIVAS  

Apresentação 

A face internacional do seminário tem por principais objetivos:
(i) – valorizar a escala da América Latina 
como epicentro de esforços dirigidos à reinvenção da democracia e a compreensão das cartografias rebeldes; 
(ii) – – reconhecer processos que, incidentes nas metrópoles brasileiras, transcendem a escala nacional; (iii) 
permitir, através de exercícios de análise comparativa, a identificação de processos que particularizam e singularizam a experiência urbana brasileira. 
  
Informação complementar 

Prevê-se, além de conferência e mesas redondas, organização de grupos de trabalho (GT) e painéis; apresentação de filmes e, exposição de fotografias  e de outros materiais audiovisuais relacionados à vida metropolitana; lançamento e venda de livros.  

Publico alvo: gestores, professores universitários, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, 
professores da educação básica, técnicos, representantes e ativistas de movimentos sociais.  

INSCRIÇÃO:  no evento por meio de inscrição de formulário no site do Cepuerj, 



domingo, 15 de agosto de 2010

O tecnomundo nosso de cada dia II

 O Hospital das Clínicas de São Paulo abriu 15 novas vagas para adolescentes viciados em internet.


Matéria publicada na Info Online.  Veja se você se encaixa.


São considerados sintomas de dependência o sentimento de depressão e angústia quando o paciente é impossibilitado de usar a web e a dificuldade em determinar limites para o uso da web ao longo do dia.

Antes de candidatar-se para participar do tratamento, o usuário precisa verificar o seu nível de dependência por meio de um teste online oferecido pelo Hospital das Clínicas.

Link do teste:
http://www.dependenciadeinternet.com.br/

O tecnomundo nosso de cada dia


“Não compre  e não alugue. Feito de fã para fã”.


Quem  tem o costume de assistir desenhos animados japoneses baixados pela Internet  ou comprados no camelô já deve visto, durante a pausa, mensagens como “Não compre ou alugue anime” ou “Feito de fã para fã”.   Em algumas HQ escaneadas, os scans, também possuem mensagem similar.

A guerra aos blogs e fóruns que oferecem scans, animes e filmes segue-se ferrenha. Muitos blogs foram deletados, outros transferem o seu conteúdo para servidores estrangeiros .  A disponibilidade desses  materiais de forma gratuita, que é confundida ou rotulada como  pirataria, já teve até pedido diplomático contrário.

Em 2009 o primeiro-ministro do Japão pediu endurecimento à pirataria de animes e mangas, boa parte tendo como destino o EUA.   O EUA  é duro relação  aos copyrights.

As noticias de processos contra sites de torrents como o Piratebay ou a usuários que baixam ou disponibilizam músicas no formato mp3, trazem temor aos que usam a rede informacional.   Baixar qualquer conteúdo e compartilhá-lo sem cobrar é pirataria?
O que diz a lei de Direitos Autorais?  Afinal  acessar o conteúdo de língua estrangeira, exemplo uma HQ belga que comercialmente não será publicada por  não interessar as editoras brasileiras, não seria uma forma de inclusão?

 Pelo que se sabe, tantos os fansubs, blogs e fóruns tanto de scans, filmes e animes não cobram um centavo pelo trabalho de diagramação, edição e tradução.  Ok. Pedir doação para manter o site ou servidor é plausível em comparação ao esforço feito por eles. Há membros que compram  edições em papel, escaneam e põem na rede.   Onde está a pirataria?

A pirataria ocorre quando se comercializa um produto de outrem sem licenciamento. 
No Canadá é assim: quando alguém baixa um desenho ou música e deixa em seu computador e somente ele o usa para seu entertenimento não é e mesmo que ele passe passe para outra pessoa e não haja valores monetários envolvidos, também não é.  Mas, a partir do momento em que se vende, aí sim é configurado como ato  pirata.

A discussão vai longe e ainda há muitos pormenores que devemos atentar.   Dê uma olhadinha nas mensagens de abertura  dos dvd que você tem em casa, independente de onde tenha comprado.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pilares Flutuantes

A BREVIDADE DA VIDA

Quanto tempo dura  uma vida?  Responda quem souber, mas tenha a certeza que qualquer resposta positiva será incorreta.
Que tempo vivemos? O tempo do Criador ou o tempo do homem com suas máquinas?
As pessoas reclamam que não tem tempo, sempre há tarefas e prazos quase no limite.   

Tempos modernos.
A pós-modernidade trouxe a palavra compressão do tempo-espaço.  Entre  os autores que escreveram sobre a pós-modernidade podemos citar o geográfo David Harvey: 
"À medida que o espaço se encolhe para se tornar uma aldeia "global" de telecomunicações e uma "espaçonave planetária" de interdependências econômicas e ecológicas __ para usar apenas duas imagens familiares e cotidianas __ e à medida em que os horizontes temporais se encurtam até ao ponto em que o presente e tudo que existe, temos que aprender a lidar com um sentimento avassalador de compressão de nossos mundos espaciais e temporais". (Harvey, 1989, p. 240).

É o tempo das técnicas e das redes; o desenvolvimento da humanidade rumo ao futuro incerto. 
As preocupações com a duração dos recursos naturais do planeta servem com peças na engrenagem de um relógio.  Precisamos de algo para sinalizar a existência.
Mas esse é outro tempo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

As colunas das folhas

Informo que  o blog terá  3 colunas de textos, cada uma par determinado tema.
Ninguém é uma ilha, relacionada à sociabilidade, a questão da comunicação e  do relacionamento com o outro;
O tecnomundo nosso de cada dia, referindo se a penetração da tecnologia na vida humana, seja tanto como integradora como excludente. O que se pretende a partir de observações do cotidiano é abordar justamente o que passa despercebido  em meio à correria do dia à dia.  Os  impactos do Meio científico-informacional, nas palavras de Milton Santos, na vida cotidiana.
A terceira coluna  ainda está sendo pensada.

Mais um compromisso sendo firmado.

A paz.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cultura afro-brasileira é adaptada para os quadrinhos

Reproduzindo um press release recebido:



Em 2003 foi aprovada a lei 10.639, que previa a obrigatoriedade do ensino de conteúdos curriculares sobre a História e a Cultura Africana e Afro-brasileira na escola em seus diversos períodos e disciplinas, foi baseado nisso que foi lançado nesta *sexta-feira, 2 de julho de 2010, às 19h*, na Livraria Cultura, o álbum em quadrinhos *AfroHQ: História e Cultura Afro-brasileira e Africana em Quadrinhos*.
A HQ foi produzida com pesquisa e roteiro do sociólogo *Amaro Braga*, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, e teve os desenhos e a pintura das arte-educadoras *Danielle Jaimes* e *Roberta Cirne*, estudantes de Artes Plásticas da UFPE e contou com o incentivo do Funcultura do Governo do Estado de Pernambuco.


Resgatando a história da presença africana no Brasil e suas contribuições para a formação da cultura brasileira, a HQ foi ricamente ilustrada em aquarela e apresenta as principais temáticas antropológicas, sociológicas e históricas relativas à cultura afro-brasileira. Narrada pelos próprios orixás, a aventura parte do surgimento do homem na África, passando pela escravidão, a construção do Brasil, seu povoamento e as contribuições advindas de sua cultura material e imaterial tais como dança, música, linguagem, culinária, religião e artesanato, enfatizando o quanto pesa a cultura africana no patrimônio brasileiro.


A publicação chega exatamente no mesmo período da aprovação pelo Senado Federal do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado no dia 16 de junho e que aguarda agora apenas a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser anunciada nos próximos dias.


O “*AfroHQ*” enfoca com riqueza de detalhes e sensibilidade a contribuição da cultura africana na formação do povo brasileiro e dá continuidade ao trabalho de uma equipe que vem produzindo quadrinhos para que crianças, jovens e adultos possam conhecer detalhes pouco explorados das contribuições culturais deixadas para nós, brasileiros e pernambucanos, por muitos povos, como os Judeus, tema dos cinco primeiros álbuns, chamados de “Passos Perdidos, História Desenhada”; e da interação étnica na formação da Nação Brasileira em “Heróis da Restauração”, o sexto álbum. “AfroHQ”, o sétimo, continua com esta trajetória etno-histórica que tem motivado o trio em seus projetos.


A HQ procura abranger diversos assuntos e mapeia as mais variadas ideologias sobre o tema. “Não floreamos nenhum dos fatos históricos, nem os excluímos. Tentamos o impossível: reunir múltiplas visões defendidas na academia e nos movimentos de cultura negra, que, como muitos devem saber, às vezes se antagonizam”, explica Amaro Braga.

Para cumprir a missão, a equipe contou  com consultores especializados que analisaram o trabalho e deram sugestões ao longo do desenvolvimento, como:
 professora *Zuleica Dantas*, pós-doutora em Ciências da Religião (UMESP) e coordenadora da pós-graduação em História e Cultura Afro-brasileira da UNICAP,
 a pesquisadora *Josinês Rabelo*, doutoranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE e
a professora *Ana Carolina Thompson* que pesquisa a prática de administração do conhecimento por parte
dos estudantes.

“A ideia foi criar um material que pudesse ajudar os professores, apresentando as bases de vários conteúdos: históricos, religiosos, étnicos, míticos e linguísticos. É uma introdução que pode estimular o aprofundamento a partir de várias disciplinas, entre elas História, Português, Geografia, Literatura e principalmente a Sociologia”,  acrescenta Amaro. “Desenhamos a história, idealizando cada cena e enredo
visando uma provável ação didática por parte do professor.

Nossa experiência em sala de aula foi decisiva para a construção deste álbum”, revela Danielle Jaimes, que também atua como professora do ensino fundamental e médio em escolas da região.

Serviço:

*AfroHQ: História e Cultura Afro-brasileira e Africana em Quadrinhos*

Lançamento: 02 de julho, às 19h, na Livraria Cultura

Autores: Amaro Braga, Danielle Jaimes, Roberta Cirne

Número de pag.: 90
Preço: R$ 20,00

Informações: afrohq@gmail.com<http://br.mc539.mail.yahoo.com/mc/compose?to=afrohq@gmail.com>ou

http://afrohq.blogspot.com/

Postado por CDICHQ no História e Cultura Afro-brasileira em




2010. II


Em 2010 aqui no Brasil outras odisséias continuam. 
Uma é a da Copa do Mundo, onde os sentimentos se unem, ou quase, num só coração. Seria "Pra frente, Brasil", mas  ....
Outra é das eleições presidenciais, o monolito obscuro de alianças e intenções indecifráveis .

A Copa do Mundo  rumou-se para quase uma Copa das Américas.    Certas seleções européias mostraram que a crise não é só campo financeiro. Vide a seleção francesa, com atuação vergonhosa tanto no campo quanto fora dele.

Em tempos de Copa, o nacionalisamo verde-amarelo é exaltado. Seja pelos adereços nas ruas e casas; pelas  torcidas em bares com seus telões de plasma ou churrascos em laje, o que importa é torce pela seleção. É mostrar-se brasileiro (?).  Se fizer o contrário, bom sujeito não é.

O que aconteceu no dia 02/07  não de tanto uma surpresa, houve tristeza e esta tormou-se alegria com a eleminação da Argentina no sábado por 4X0.  No entanto a indignação com a seleção brasileira vai durar.
Eis que já procuram novos candidatos ao cargo de técnico da seleção e pelo que foi mostrado são de boa aceitação do público.

O bom é que agora a povo tem  que prestar atenção nos candidatos à presidencia. Pelo menos deveria.
Pois os jogos do poder não são televisionados.


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Para compreender como o verdeamarelismo serviu para incurtir o sentimento nacionalista, sugere-se o livro Brasil. Mito fundador e sociedade autoritária, de  Marilena Chauí, editora  Fundaçao Perseu Abramo.  Nele a autora discorre sobre como foi construído o mito fundador do Brasil desde 1500 até os dias atuais.  De dádiva divina,  passando pela exaltação das riquezas naturais representadas pelas cores da bandeira nacional;  povo considerado ordeiro e amável, até a seleção canarinha.  A idéia de nação como semióforo, ou seja símbolo cheio de significação incessante e a sagração da natureza; da História e do governante  como bases do mito fundador respondem as questões de muito feitas ao longo dos anos.


domingo, 27 de junho de 2010

Do além de Orwell

Reproduzo a minha postagem preferida do Blogs do Além,  a de George Orwell, criador do termo Big Brother.
Para quem já leu 1984 e a Revolução dos Bichos,  sabe que foi Orwell que idealizou, em 1948-49, o quase onipresente Grande Irmão, que inspirava medo de ser delatado como traidor ou subversivo ao sistema autoritário. Nesse caso a ex-URSS, embora que por sistema autoritário até as nações capitalistas aliadas poderiam estar no contexto.





ISSO AÍ,  MEU IRMÃO 

Por uma coincidência incrível, dois programas de grande audiência da tevê brasileira tem relação com minha obra literária. Estou falando, obviamente, do Big Brother, inspirado no livro 1984 e do A Fazenda, que lembra muito meu outro livro, Revolução dos Bichos. Só que nesse segundo caso, o dono da fazenda é pastor e os porcos são representados por antas.

Quero dizer que não acredito que os programas de tevê precisem ter conteúdo edificante ou que tenham de colaborar com a formação cultural das plateias. Tevê, em especial, é feita pra divertir. Quer cultura? Então vai pra biblioteca e leia em silêncio, por favor. Gosto de Big Brother e tenho muito orgulho de ter escrito 1984, livro que inspirou e deu origem ao nome do programa. Adoro paredão e sou daqueles que gastam todos os créditos do pré-pago para participar das votações de eliminação.

E digo mais. O programa é até respeitoso com 1984. Vejamos isso nos pormenores. No livro, o Estado mantinha o controle do pensamento dos cidadãos através de vários meios, entre eles, a manipulação da língua. Para tanto, os especialistas do Ministério da Verdade criam a novilíngua, uma outra língua ainda em construção que, quando estivesse completa, impediria a expressão de qualquer opinião divergente do regime.

De certa forma isso acontece no BBB. Os participantes falam uma outra espécie de português que os impede de expressar qualquer coisa. Já reparou como uma das funções do Bial é traduzir os participantes?

Basicamente, em 1984, eu mostrava como uma sociedade oligárquica e coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela. O personagem principal, Winston Smith, um homem com uma vida insignificante, só que sem um corpo esculpido na academia, recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime.

No BBB também temos personagens com vidas insignificantes. A sociedade brasileira continua oligárquica. O coletivista fica por conta da audiência e das redes sociais. E cada participante é um divulgador do regime. Do capitalista e das baixas calorias.

Bom, um pouco de adaptação toda obra tem de sofrer quando muda de plataforma. Mas quer mais reverência a 1984 do que isso?

Postado por George Orwell às 18:33

http://blogdoorwell.blogspot.com/2010/01/titulo.html

Autoria: Vitor Knijnik

Blog do Além

Para quem não sabe,  semanalmente na revista Carta Capital  publica a coluna Blogs do Além, de Vitor Knijnik. De forma bem humorada, a finada personagem, seja qual for o data,  escolhida publica suas palavras no diário online. Recomendo para quem precisa de um pouco de crítica.

http://www.blogsdoalem.com.br/

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eclipses do sol em 2001

                           
                             
                                                 Eclipse do sol em setembro de 2001


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ninguém é uma ilha.. mesmo querendo

Pensei em escrever sobre o desempenho da seleção dunguista contra a seleção norte-coreana, mas mudei de idéia por causa dos comentários do twitter que surgiam ao longo da partida.  Tem gente que gosta de sinalizar internet mesmo quando não tem nada contribuir de útil.
Não tenho twitter e nem passa pela cabeça. Já basta contas de e-mail, msn e as redes sociais.  Aliás redes socais pululam aos montes, Orkut:; Facebook; Hi5; Unik; Myspace; Badoo; Sonico; deve tre mais surgindo com a promessa de ser diferente das outras. Por isso lembrei-me que informacionalmente não estamos isolados, a evolução da internet encurtou a distância entre pessoas (sic). Ninguém é uma ilha mesmo querendo, a possibilidade diminui conforme aumenta o comunicação  nas infovias.  Basta olhar os recados nos murais do Facebook " fulano está jogando Mafia Wars" ou no Orkut " sicrano jogando Colheita Feliz".  Tenho amigos que pelo msn, dependendo do que escrevam logo após o nome,  já indicam como estão emocionalmente.
Quase sempre sabemos o que o outro está fazendo sem muito esforço, nós mesmos sinalizamos alguns feitos.  Postamos fotos, lemos recados dos outros, encaminhamos mensagens ( às vezes isso é tão incomodo quanto grosseiro),  informamos para onde vamos, etc. Tudo lá nas páginas das redes sociais, no Twitter.
No mundo virtual formamos arquipélagos pois são várias ilhas com afinidades, interesses e gostos.  O que é bom porque além de aproximar pessoas de lugares distantes (seja virtual ou fisicamente) também propicia a troca.  Quantas pessoas reencontraram os amigos pelo Orkut?  Quantas as idéias ganham corpo com as discussões via mensagens instantanêas.  Por outro lado a falta de privacidade e a vontade de se fazer notar tornou-se algo constante. Está  conduzindo para um esmaecimento da áurea que reveste as relações.    Mas tudo bem, não  há rosa sem espinho.
O quão admirável tornou-se o mundo novo informacional com  sua nova língua tornando  pontos numa geogarfia de redes.