segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha IV

Continuando sobre o tema aborto.  Matéria publicada no Correio Braziliense.
Tema recorrente na política, o aborto é um problema grave de saúde


Publicação: 10/10/2010 09:30

Uma romaria de mulheres procura diariamente os hospitais públicos brasileiros. Depois de abortos clandestinos e malsucedidos, elas precisam de atendimento médico com urgência. São, em média, 256 a cada dia, 10 por hora. A mesma quantidade de vítimas de clínicas ou medicamentos clandestinos enfrenta a decisão pelo aborto sem qualquer suporte médico.

Os hospitais mantidos pelos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) não fazem tantas cirurgias quanto as curetagens. São procedimentos que exigem anestesia, geral ou local, para a retirada de restos de placenta do útero. Necessárias depois de abortos provocados, são 500 curetagens por dia. É mais do que o dobro de procedimentos de retirada de útero e o triplo da quantidade de cirurgias de períneo, as duas cirurgias mais frequentes pelo SUS, depois da curetagem.

Em qualquer site de busca na internet, a digitação das palavras misoprostol e Citotec garante um retorno fácil de informações. Para misoprostol, o primeiro retorno é “onde comprar misoprostol”. Para Citotec, “Citotec preço”. O medicamento, indicado para combater úlcera gástrica, é amplamente vendido na rede a mulheres interessadas em abortar. A proibição da venda, em 1991, não inibiu o consumo do produto como abortivo. É, há 20 anos, o método mais utilizado pelas brasileiras para dar fim a uma gravidez indesejada.

Nem a hipertensão arterial, nem hemorragias e infecções matam tantas mulheres no parto em Salvador (BA) quanto os abortos malsucedidos. É essa a principal causa de mortalidade materna na capital baiana. Em todo o país, o aborto é a terceira ou a quarta causa — de acordo com cada região — de morte de mulheres no parto. A cada quatro dias, em média, morre uma brasileira que decidiu fazer aborto, levando-se em conta apenas os registros de mortes informados pelos hospitais ao Ministério da Saúde.

O comitê de mortalidade materna de Recife (PE) começou a perceber um aumento dos casos de meninas que se suicidam nos primeiros meses de gravidez. Os casos passaram a ser estudados pelo comitê, que busca as razões junto a familiares e médicos para evitar novas ocorrências. As mortes se somam às dezenas de outros óbitos de mulheres jovens, que decidiram abortar na clandestinidade e que sucumbiram após a última tentativa de socorro médico, na rede pública de saúde de Recife.

As constatações são inúmeras, seja nos dados oficiais do Ministério da Saúde, na rotina dos hospitais, no milionário comércio de medicamentos ilegais — trata-se de uma prática rotineira, que consome R$ 30 milhões do SUS todos os anos. O dinheiro é insuficiente para assegurar a saúde e a vida dessas mulheres.

Especialistas acreditam que o embate político na disputa presidencial deste ano reduziu a discussão a um mero aspecto religioso e fez os candidatos ignorarem o aspecto de saúde pública do aborto. O assunto passou a ser o mote do segundo turno das eleições, ganhou evidência, mas foi reduzido a posições contrárias ou favoráveis simplesmente.

“Se os candidatos querem seriamente discutir o aborto, não devem fazer disso uma moeda de troca com as religiões. Debater o aborto deve ser um marco da saúde das mulheres, não uma concessão religiosa”, afirma a antropóloga Debora Diniz, pesquisadora do Anis — Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, e professora da Universidade de Brasília (UnB). Debora é uma das principais referências no assunto. No início do ano, um estudo de sua autoria, a Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), mostrou que 15% das mulheres brasileiras já fizeram um aborto pelo menos uma vez na vida.

“A abordagem dos candidatos está completamente inadequada. O aborto não é uma carnificina nem é uma questão religiosa em si”, diz o professor de ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí Thomaz Gollop, coordenador de um grupo de estudo sobre aborto da Socidade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “Como médico, é óbvio que não sou a favor do aborto, mas estamos lidando com preconceitos, e não com conceitos.” Gollop lembra que a proibição do aborto está prevista numa lei de 70 anos atrás. “Os costumes e a realidade mudaram completamente”, diz o pesquisador. A legislação penal garante a realização do aborto apenas para casos em que a gravidez é decorrente de um estupro ou oferece riscos de morte à gestante.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ninguém é uma ilha III

As duas matérias que reproduzo aqui são de assuntos relacionados à vida humana.   Uma é uma carta-manifesto sobre o tráfico  humano e a outra sobre  a mobilização de feministas à favor do aborto.  Esta última, de tão polêmica, por assim dizer pesada, é item na disputa política. Temos uma candidata à presidência  que em campanha antes do primeiro turno tinha ou tem uma posição sobre o aborto, já está confuso.   
No meu ver deve-se discutir a questão da vida humana focado no direito democrático, não por pressão de vertentes religiosas e de preconceito. Ora, qual parcela social é mais atingida? A mulher pobre, a de classe média ou a rica?
Também não para que se faça que a coisa corra de maneira frouxa, afinal temos um universo jovem em expansão, mas também não se deve fechar os olhos ou tampar o sol com a peneira para aqueles casos previstos no código penal.  
Agora, uma coisa que encucuca, por que as rádios e  as emissoras de tv não divulgam isso? Não fazem debates?  Eu arrisco uma resposta, digo em outro post. 



27/09/2010
Carta de São Sebastião
Leia a íntegra da carta divulgada pelo Movimento contra o tráfico de Pessoas no Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

Considerando que o tráfico de pessoas é um crime fruto de diversos fatores como o tipo de globalização que vivemos na sociedade mundial, concentrador de riquezas nas mãos de poucos;

Considerando que a Organização das Nações Unidas - ONU, admite ser esse crime o pior desrespeito aos direitos inalienáveis da pessoa humana;

Considerando que é também a ONU a afirmar não haver países inocentes nesse tipo de crime globalizado, pois a nação ou vende ou compra o ser humano como mercadoria de consumo;

Considerando que a Organização Internacional do Trabalho - OIT, afirma ser o tráfico humano a segundo fonte ilegal de renda do mundo perdendo apenas para o tráfico de armamentos, com uma renda anual de 32 bilhões de dólares;

Considerando que é também a OIT que estima serem traficados por ano, cerca de dois milhões e 800 mil seres humanos para o trabalho escravo, exploração sexual e venda de órgãos e tecidos;

Considerando que 83% das pessoas traficadas é constituído de mulheres e crianças do gênero feminino;

Considerando que 48% das vítimas do tráfico humano têm menos de 18 anos;

Considerando que nosso país, o Brasil, é tido como o maior “fornecedor” de jovens mulheres, adolescentes e crianças nas Américas traficadas para a indústria do sexo nos países do Primeiro Mundo.

Considerando que também somos um país demandador do tráfico humano, além de termos um tráfico interno que incide de forma perversa sobre adolescentes e crianças;

Considerando que o ocorrido em território brasileiro pode ser qualificado como vergonha nacional;

Considerando que estamos às vésperas das de eleições presidenciais;

Considerando que em tempo algum, ouvimos de qualquer candidato à Presidência da Republica, pertencente a qualquer partido político, menção de que o enfrentamento a esse crime faz parte de sua plataforma política de ação;

Frente a todos esses fatos, o Movimento contra o tráfico de Pessoas constituído por cerca de 50 entidades da sociedade civil brasileira e os participantes do “Seminário sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: desafios e possibilidades”, realizado nos dias 23 e 24 de setembro,
em São Sebastião, município do litoral norte de São Paulo, vem por meio desta carta solicitar o posicionamento dos candidatos à Presidência da República em relação ao seu compromisso e engajamento ao combate a esse crime monstruoso que ameaça nosso maior patrimônio nacional, isto é, nossos adolescentes e crianças.

São Sebastião, 23 de setembro de 2010,
Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças


Feministas lançam Plataforma pela Legalização do Aborto

sexta-feira 1 de Outubro de 2010, por Terezinha Vicente 




Se tem uma data que mobiliza todas as feministas brasileiras há mais de vinte anos, além do 8 de março, é o dia de luta latino americano e caribenho pela legalização do aborto, 28 de setembro. As feministas sabem da importância fundamental da autonomia da mulher para sua emancipação, e sabem como é fundamental para alcançá-la a autonomia sobre o próprio corpo, sobre a sexualidade, e como lhe são negados historicamente os direitos sexuais e reprodutivos. Enquanto elas tentam avançar nesta luta – criando inclusive uma Frente Nacional pela Legalização - nos últimos anos, tem recrudescido no Brasil as ações de criminalização das mulheres e de propaganda contra a legalização do aborto, principalmente na mídia comercial e no Congresso.
Neste 28 de setembro, foi lançado pela Frente em todo o país uma Plataforma com propostas para a descriminalização do aborto. Em São Paulo, o ato aconteceu na Praça do Patriarca, reunindo perto de 200 pessoas, representando diversas organizações de mulheres, centrais sindicais (CUT e Conlutas) e partidos (PT, PSol e PSTU), que caminharam ao final até o Largo São Francisco. “Esta é uma luta histórica das mulheres”, disse Amelinha Teles (União de Mulheres), “e é importantíssimo que os jovens venham a aderir e também os homens. Existe muita resistência do povo que sofre muita influência da Igreja e só apresenta argumentos religiosos, não conseguimos discutir politicamente o respeito a vida das mulheres”. Para a conhecida feminista, apesar das dificuldades, “esta luta vem avançando, a legalização do aborto não é mais pauta só das mulheres, hoje está na agenda política”.

Unificar a luta

“Conseguimos unificar neste ato setores diferentes do movimento de mulheres, o que é muito importante, pois precisamos da união de todas as mulheres e de toda a classe trabalhadora neste tema difícil”, comemorou Luka, do PSol e uma das coordenadoras da Frente Paulista. A jovem ativista acredita que a pouca mobilização deve-se “ao machismo interno nos partidos e organizações que tem dificuldade em ver como estratégico o tema do aborto”. Além disso, “no período eleitoral, as candidaturas cedem às chantagens dos setores retrógrados, devido ao atraso da consciência popular, e com medo de perder votos, ninguém se coloca a favor da legalização”.
“Para nós trabalhadoras é muito importante este debate, que é feito falsamente”, disse à Ciranda, a secretária da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, que representava no ato a CUT Nacional. “As mulheres de classe média tem condições de decidir sobre seu corpo, inclusive sobre aborto, enquanto nós, trabalhadoras, sofremos com esta questão. As pobres somos tratadas como máquina de reprodução de mão de obra para o capital, por isso há todo um cerco contra a autonomia das mulheres.Queremos um debate livre sobre a reprodução, sobre o quanto as mulheres são capazes de fazer e sobre mão de obra barata; precisamos incluir os homens na discussão, pois eles são parte da reprodução, no entanto a sociedade os exime disso”.
“Cadê o homem que engravidou? Por que a culpa é da mulher que abortou?”
Intercalando palavras de ordem ao som unido dos tambores da Fuzarca Feminista (batucada da Marcha Mundial de Mulheres) e do Batuque do Grupo de Mulheres Pão e Rosas (LER-QI e independentes), falaram diversas lideranças no ato em São Paulo. Yuri Puello Orozco, das Católicas pelo Direito de Decidir, lembrou recentes pesquisas que comprovam que a maioria das mulheres que fizeram aborto são católicas, ou seja, não aceitam a posição retrógrada da Igreja. Ou como disse Yuri, “a mulher católica que faz aborto está utilizando o ‘uso da consciência’, recurso previsto no magistério da IC, além de ser um posicionamento amparado pelo direito constitucional que diz respeito à saúde integral e à dignidade humana”. Tatiane Ladeira, da Casa Viviane, em Guaianazes, contou das mulheres em situação de violência que acolhem, e chamou a atenção para o aumento de mulheres com problemas de saude mental, alimentados por sentimentos de culpa, em boa parte criados pelo discurso dos movimentos fundamentalistas, que se dizem “em defesa da vida”.
A defesa do estado laico, a questão eleitoral, e o não posicionamento pela legalização do aborto por parte das principais candidatas no atual processo, foi criticada em várias das falas feministas. “Duas mulheres candidatas”, disse Flávia Vale, da LER-QI, “e ambas não mexem uma palha pela legalização do aborto, não podemos ter ilusões com os parlamentares”. Também Ana Luiza, do PSTU, criticou a atuação do parlamento. “São os parlamentares que impedem a lei de ser implementada, mas o Estado tem que ser laico e garantir o direito a todas as mulheres, independente de religião”.
Plataforma contra a hipocrisia
Várias ativistas do movimento estudantil (USP, Unicamp e UNE) fizeram uso da palavra em defesa das mulheres, como também as lésbicas, representadas pela LBL. Saudando esse “dia de unidade na América Latina pela construção de nossa autonomia e contra a criminalização do aborto”, falou Sonia Coelho, da MMM e da coordenação da Frente Paulista. “A Marcha Mundial de Mulheres tem desafiado os outros setores dos movimentos a discutir sem hipocrisia a questão do aborto; queremos um debate real sobre o que significa o aborto para as mulheres trabalhadoras, negras, pobres, quanto sofrimento!”
Encerrando o ato, foi apresentada por Tatiana Berringer, da Consulta Popular e da MMM, a Plataforma para a Legalização do Aborto no Brasil, que vem sendo construída pela Frente Nacional desde o ano passado. “Escrita conjuntamente pelas organizações que compõem a Frente”, disse Tati, “ela se constitui de propostas de políticas públicas, leis efetivas que garantam o Estado laico, o acesso a contraceptivos, formação dos profissionais da saúde, direito, assistência social, garantias de serviço público de qualidade”. Soninha completou dizendo que “a idéia é debatermos amplamente esta plataforma, incorporar outros setores favoráveis à legalização do aborto, aprimorarmos as propostas. Queremos que as mulheres deixem de ser humilhadas, torturadas, presas, e que possamos discutir profundamente esta questão no Brasil”.
Fonte: http://www.ciranda.net
http://carosamigos.terra.com.br/




sábado, 18 de setembro de 2010

Ninguém é uma ilha II

 Às vezes imaginamos se há alguém com as mesmas idéias que as nossas, por mais estranhas que sejam.   Em relação aos políticos sentimentos e idéias não faltam. Eis que o artista plástico recifense Gil Vicente resolveu expressar sua vontade de "matar" alguns políticos.


Reproduzindo:


Artista ‘mata’ líderes políticos

O recifense Gil Vicente promete polêmica na Bienal de São Paulo com obras em que aparece atacando personalidades



Rio - Você já teve vontade de matar algum político? Ou um famoso? Ou mesmo um religioso? O artista plástico recifense Gil Vicente já, e fez questão de não esconder o desejo. Ele mostra para todo mundo, na exposição “Inimigos” que estará na 29ª Bienal de São Paulo. Na mostra, o artista se retratou matando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique, o Papa Bento XVI e o americano George Bush, entre outros. A Bienal começa dia 25.



Gil Vicente reproduz a própria imagem assassinando FH, o ex-premier de Israel Ariel Sharon, o papa Bento XVI e o presidente Lula. O artista diz que a fome é mais chocante que suas obras | Foto: FolhaPress

Assim que as fotos foram divulgadas em jornais, a polêmica começou. “Muita gente ligou nos jornais pedindo para cancelar a assinatura, dizendo que não tinha assinatura para seus filhos verem aquilo. Mas e a miséria e fome nas ruas, os filhos podem ver?”, desabafou o artista plástico. “Muito mais chocante que minhas ilustrações é a imagem de uma pessoa que não tem o que comer.” Nas ruas, as pessoas ficaram chocadas, mas a maioria apoiou Gil. “Eu faria igual. É muito roubo e corrupção. Vai dar polêmica. O povo vai cair em cima!”, disse o empresário Carlos Watanabe.

Tomara que chegue ao Rio.  Mas será que a grande mídia ira anunciar?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Eventos na Geografia. Seminário

III SEMINÁRIO NACIONAL
METRÓPOLE: GOVERNO, SOCIEDADE E TERRITÓRIO
II COLÓQUIO INTERNACIONAL METRÓPOLES EM PERSPECTIVA

TERRITÓRIO USADO E CARTOGRAFIA DA AÇÃO: POR UM GESTÃO URBANO-METROPOLITANA

De 1 a 3 de Dezembro de 2010


Local: Faculdade de Formação de Professores - UERJ -
Rua Francisco Portela 1450 – Patronato – UERJ – São Gonçalo – Rio de Jane
site: http://www.cepuerj.uerj.br/eventos


Apresentação

O III Seminário Nacional “Metrópole, Governo, Sociedade e Território” estará dedicado ao debate de novas orientações conceituais e diretrizes teórico-metodológicas que hoje reconstroem a análise da dinâmica metropolitana. Trata-se, fundamentalmente, dos desafios relacionados ao reconhecimento da complexa relação entre sociedade, Estado e território, em seus vínculos com a urbanidade. Como bem sabemos, a questão metropolitana confunde-se com a questão nacional. Por esta razão, sobre a influência direta de variações nas conjunturas políticas, econômicas e sócio-culturais, redesenham-se novos projetos de gestão da  sociedade e do território. Assim, junto com a  consolidação democrática, conformam outros determinantes da ultima fase do capitalismo, portadora de profundas  contradições entre desenvolvimento econômico e  desenvolvimento social; entre avanço técnico-industrial e precarização da vida coletiva; entre multiplicação dos mecanismos de controle social e reinvenção de “insurgências” e da afirmação de novos movimentos sociais  

Nesse contexto propomos o estudo das categorias do  Território Usado proposto inicialmente por Milton Santos e a Cartografia da ação Social que demonstra grande potencial de análise do cotidiano da metrópole. 

Aprendemos com Milton Santos que “Território Usado” indica a necessidade de que, no estudo do território, sejam consideradas as múltiplas formas de manifestação do poder; a co-presença de agentes econômicos e sujeitos sociais e, assim, práticas, projetos e utopias que conformam o cotidiano e produzem o futuro. Neste sentido, essa categoria refere-se às relações de poder, as lutas e conflitos estabelecidos pelos agentes no uso do território. Pensar a metrópole como lugar da disputa, do território usado, da luta por vários agentes, significa reconhecer novas leituras, insurgências e o significado do “espaço banal” como lugar de todos. 

Por outro lado, “Cartografia da ação” em associação com o conceito de micro conjuntura urbana, a abertura da pesquisa para a pluralidade das formas e sentidos da ação social, incluindo a manifestação de valores culturais, a construção de identidades coletivas e o desvendamento de racionalidades alternativas. Trata-se, sem dúvida da valorização de uma outra cartografia, aquela que reconheça as trajetórias sociais, as lutas políticas, os protestos, a leitura do território do espaço banal, cartografias insurgentes, rebeldes, do cotidiano, 
buscas libertárias.  


Eixos temáticos 

1. Território usado, Modernização e forças instituintes  
2.  Experiência e vida metropolitana: identidades sociais / identidades políticas 
3. Movimentos e movimentos sociais: cartografias das ações libertárias 
4. Gestão urbano-metropolitana: imaginários dominantes e racionalidades alternativas 

II COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE METRÓPOLES EM PERSPECTIVAS  

Apresentação 

A face internacional do seminário tem por principais objetivos:
(i) – valorizar a escala da América Latina 
como epicentro de esforços dirigidos à reinvenção da democracia e a compreensão das cartografias rebeldes; 
(ii) – – reconhecer processos que, incidentes nas metrópoles brasileiras, transcendem a escala nacional; (iii) 
permitir, através de exercícios de análise comparativa, a identificação de processos que particularizam e singularizam a experiência urbana brasileira. 
  
Informação complementar 

Prevê-se, além de conferência e mesas redondas, organização de grupos de trabalho (GT) e painéis; apresentação de filmes e, exposição de fotografias  e de outros materiais audiovisuais relacionados à vida metropolitana; lançamento e venda de livros.  

Publico alvo: gestores, professores universitários, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, 
professores da educação básica, técnicos, representantes e ativistas de movimentos sociais.  

INSCRIÇÃO:  no evento por meio de inscrição de formulário no site do Cepuerj, 



domingo, 15 de agosto de 2010

O tecnomundo nosso de cada dia II

 O Hospital das Clínicas de São Paulo abriu 15 novas vagas para adolescentes viciados em internet.


Matéria publicada na Info Online.  Veja se você se encaixa.


São considerados sintomas de dependência o sentimento de depressão e angústia quando o paciente é impossibilitado de usar a web e a dificuldade em determinar limites para o uso da web ao longo do dia.

Antes de candidatar-se para participar do tratamento, o usuário precisa verificar o seu nível de dependência por meio de um teste online oferecido pelo Hospital das Clínicas.

Link do teste:
http://www.dependenciadeinternet.com.br/

O tecnomundo nosso de cada dia


“Não compre  e não alugue. Feito de fã para fã”.


Quem  tem o costume de assistir desenhos animados japoneses baixados pela Internet  ou comprados no camelô já deve visto, durante a pausa, mensagens como “Não compre ou alugue anime” ou “Feito de fã para fã”.   Em algumas HQ escaneadas, os scans, também possuem mensagem similar.

A guerra aos blogs e fóruns que oferecem scans, animes e filmes segue-se ferrenha. Muitos blogs foram deletados, outros transferem o seu conteúdo para servidores estrangeiros .  A disponibilidade desses  materiais de forma gratuita, que é confundida ou rotulada como  pirataria, já teve até pedido diplomático contrário.

Em 2009 o primeiro-ministro do Japão pediu endurecimento à pirataria de animes e mangas, boa parte tendo como destino o EUA.   O EUA  é duro relação  aos copyrights.

As noticias de processos contra sites de torrents como o Piratebay ou a usuários que baixam ou disponibilizam músicas no formato mp3, trazem temor aos que usam a rede informacional.   Baixar qualquer conteúdo e compartilhá-lo sem cobrar é pirataria?
O que diz a lei de Direitos Autorais?  Afinal  acessar o conteúdo de língua estrangeira, exemplo uma HQ belga que comercialmente não será publicada por  não interessar as editoras brasileiras, não seria uma forma de inclusão?

 Pelo que se sabe, tantos os fansubs, blogs e fóruns tanto de scans, filmes e animes não cobram um centavo pelo trabalho de diagramação, edição e tradução.  Ok. Pedir doação para manter o site ou servidor é plausível em comparação ao esforço feito por eles. Há membros que compram  edições em papel, escaneam e põem na rede.   Onde está a pirataria?

A pirataria ocorre quando se comercializa um produto de outrem sem licenciamento. 
No Canadá é assim: quando alguém baixa um desenho ou música e deixa em seu computador e somente ele o usa para seu entertenimento não é e mesmo que ele passe passe para outra pessoa e não haja valores monetários envolvidos, também não é.  Mas, a partir do momento em que se vende, aí sim é configurado como ato  pirata.

A discussão vai longe e ainda há muitos pormenores que devemos atentar.   Dê uma olhadinha nas mensagens de abertura  dos dvd que você tem em casa, independente de onde tenha comprado.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pilares Flutuantes

A BREVIDADE DA VIDA

Quanto tempo dura  uma vida?  Responda quem souber, mas tenha a certeza que qualquer resposta positiva será incorreta.
Que tempo vivemos? O tempo do Criador ou o tempo do homem com suas máquinas?
As pessoas reclamam que não tem tempo, sempre há tarefas e prazos quase no limite.   

Tempos modernos.
A pós-modernidade trouxe a palavra compressão do tempo-espaço.  Entre  os autores que escreveram sobre a pós-modernidade podemos citar o geográfo David Harvey: 
"À medida que o espaço se encolhe para se tornar uma aldeia "global" de telecomunicações e uma "espaçonave planetária" de interdependências econômicas e ecológicas __ para usar apenas duas imagens familiares e cotidianas __ e à medida em que os horizontes temporais se encurtam até ao ponto em que o presente e tudo que existe, temos que aprender a lidar com um sentimento avassalador de compressão de nossos mundos espaciais e temporais". (Harvey, 1989, p. 240).

É o tempo das técnicas e das redes; o desenvolvimento da humanidade rumo ao futuro incerto. 
As preocupações com a duração dos recursos naturais do planeta servem com peças na engrenagem de um relógio.  Precisamos de algo para sinalizar a existência.
Mas esse é outro tempo.